
Contando apenas com o Sampaio Corrêa disputando o Campeonato Brasileiro, ainda assim a Série D, o
Maranhão
não possui nenhum clube representante nas duas principais divisões do
país. Entretanto, quando o assunto passa a ser jogadores maranhenses, o
Estado conta com atletas em 55% dos clubes da Série A, com um clube
(Portuguesa) apresentando três maranhenses em seu elenco.
Dentre os 20 clubes da Série A, são encontrados 14 jogadores
maranhenses compondo os elencos de 12 equipes. Com exceção do gol, em
todas as demais posições há, no mínimo, um atleta do Maranhão como opção
para compor os elencos.
A posição em que há mais maranhenses como opções é volante. Entre os
cinco maranhenses na posição, o promissor Márcio Araújo, do Palmeiras, e
o campeão baiano
Diones, do Bahia, são os principais destaques. Completam a lista de volantes maranhenses o experiente
Pituca, do Atlético-GO, além de Xeves e Léo Silva, respectivamente da Ponte Preta e Portuguesa.
Os maranhenses na Série A
Atlético-GO - Pituca
Atlético-MG - Guilherme
Bahia - Diones
Botafogo - Elkesson
Cruzeiro - Fábio Lopes
Grêmio - Pablo
Palmeiras - Márcio Araújo
Ponte Preta - Xeves e Maranhão
Portuguesa - Raí, Léo Silva e Ananias
Santos - Maranhão
Sport - Rithely
O ataque é a segunda posição entre os jogadores maranhenses, com quatro representantes, sendo o atacante
Guilherme,
do Atlético-MG, o que vive a melhor fase neste início de temporada, com
quatro gols marcados no Campeonato Mineiro. Além do atacante de 25
anos, o baixinho
Ananias, da Portuguesa, Fábio Lopes, do Cruzeiro, e Maranhão, da Ponte Preta, completam a relação de atacantes maranhenses.
Como meias e laterais, aparecem apenas dois maranhenses em cada uma destas posições. No meio,
Elkeson,
que fez uma grande temporada no Botafogo em 2011 é o principal jogador
do Estado, ao lado do jovem Rithely, promovido das categorias de base do
Sport. Já como laterais aparecem Raí, da Portuguesa, e Maranhão, que
ganhou uma nova chance no Santos e vem se firmando na equipe de Muricy
Ramalho.
Completando a lista de maranhenses na Série A, aparece o único zagueiro
da relação. O jovem Pablo, de apenas 21 anos, contratado no início da
temporada pelo Grêmio.
Apenas três jogadores com passagem no futebol maranhense
Bicampeão baiano, Diones já atuou no Maranhão
(Foto: Raphael Carneiro/Globoesporte.com)

Apesar de contar com 14 jogadores em 12 dos 20 clubes da Série A,
apenas três jogadores iniciaram a carreira no futebol maranhense, antes
de atuarem em outros Estados. É o caso do atacante Fábio Lopes, do
volante Diones e do lateral Raí.
O volante Diones iniciou a carreira em 2005 defendendo o Maranhão,
clube no qual fez parte do time que conquistou o último Estadual com o
Quadricolor em 2007. Após se destacar no futebol maranhense passou pelo
Hercílio Dias, Ferroviário-CE e Bahia de Feira.
No clube de Feira de Santana foi um dos destaques da equipe em 2010, e
passou seis meses no Sampaio, para disputar a Série D daquele ano. Após a
competição retornou ao Bahia de Feira, para ser campeão baiano em 2011 e
ser bicampeão em 2012, mas desta vez pelo Bahia, hoje comandado por
Falcão.
Já o atacante Fábio Lopes iniciou a carreira em 2004 no Moto, passando
depois pelo Coritiba, mas sem muito sucesso. Entretanto, em 2009 o
atacante defendeu o ASA, quando retomou o bom início da carreira e
posteriormente foi para o futebol coreano.
Em 2011, o jogador retornou ao Brasil para defender o Icasa e foi um
dos destaques do Verdão do Cariri na Série B. Após a boa temporada, ele
retornou ao futebol oriental, desta vez para defender o Cerezo Ozaka, do
Japão, sendo posteriormente contratado pelo Cruzeiro onde não vem tendo
muitas chances.
Já o lateral Raí fez uma carreira mais longa no futebol maranhense. O
jovem jogador de 25 anos iniciou a carreira em 2005, no Chapadinha, e
antes de chegar ao Sampaio tentou a sorte no América-SP e Palmeiras.
Mas a melhor temporada do lateral foi no Iape, quando foi um dos
responsáveis pelo título do Canário na Copa União de 2009. Após isso,
Raí deixou a equipe maranhense para acertar com equipes do interior
paulista, antes de chegar na Portuguesa.
Na verdade é que muitas das vezes a gente não tem chance por ser
conhecido como prata da casa e o pessoal acaba achando que os melhores
são os que vem de fora"
Léo Silva
- Até quando eu estava no Iape, conversava com a diretoria sobre isso.
Nossa mentalidade era formar jogadores na casa e negociá-los depois.
Enquanto não houver um trabalho forte na base, com profissionais
capacitados, não vamos conseguir revelar jogadores. Se você não ganha
títulos tem que revelar, mas para isso tem que se investir em um
profissional especializado – explica Paulo Cabrera, que foi técnico de
Raí no Iape e já trabalhou como auxiliar de Muricy Ramalho no Náutico.
O também técnico Edmilson Gomes, o Meinha, também considerado um dos
professores de base do futebol maranhense, destaca que a dificuldade
financeira dos clubes é um dos principais motivos para a saída precoce
dos jogadores maranhenses.
- Com a dificuldade financeira dos clubes e a globalização da
informação, os clubes acabam perdendo para os empresários que chegam e
conseguem oferecer um salário maior aos jogadores. Hoje, a maioria dos
clubes não tem categoria de base justamente por isso, então é uma
situação muito complicada.
Léo Silva não jogou profissionalmente no Maranhão. Vestiu a camisa do
Moto Club, mas pelo futsal, em categorias amadoras. Teve sua primeira
chance no URT-MG. Assim como os treinadores, o volante diz que a falta
de valorização do atleta da terra ainda é uma grande barreira.